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Avanços em Cirurgia Vascular

A especialidade Cirurgia Vascular sofreu avanços consideráveis após a “Segunda Grande Guerra Mundial”. Foi neste período que as técnicas de restaurações vasculares foram substituindo as ligaduras de vasos com lesões e as amputações primárias em membros com traumas.

Desde então as técnicas vasculares vêm sofrendo mudanças, positivas, na direção das abordagens menos invasivas possíveis.
Tais mudanças levaram à criação de uma subespecialidade dentro da própria cirurgia vascular: a cirurgia endovascular.
A ideia é que, através de punções ou dissecções de artérias ou veias, se consiga abordar e tratar lesões em sítios distantes das áreas de abordagens. Assim, através de uma punção em artéria femoral, conseguimos tratar uma estenose de carótida com total segurança (através de filtros de proteção e visão por radioscopia constante durante o procedimento).

É possível tratar aneurismas de aorta torácica, abdominal e de artérias ilíacas por incisões inguinais e dissecções das artérias femorais. Este tipo de tratamento reduz, habitualmente, a necessidade transfusional e de permanência em ambiente de UTI, diminuindo custos e proporcionando a possibilidade de uma alta hospitalar mais precoce. Quando necessárias, técnicas de correções híbridas (endovasculares e derivações abertas) podem ser usadas. Ainda assim a agressão cirúrgica é minimizada. O mesmo ocorre nas dissecções de aorta com início abaixo da artéria subclávia esquerda. As técnicas operatórias endoluminais mais apuradas diminuem as complicações do tratamento clássico.

Mesmo na interface com outras especialidades, como na ginecologia, é possível atuar. É o caso dos miomas, especialmente os intramurais, que conseguimos tratar com embolização. É um procedimento realizado através de punção, com baixíssima complicação, bons resultados e que, principalmente, em pacientes jovens e nuligestas conseguimos tratar de forma mais conservadora. Há, também, os casos de claudicação intestinal com distensões e empachamento pós prandial em pacientes com estenoses de artérias viscerais que podemos dilatar e colocar “stents” com melhora da perfusão visceral e alívio dos sintomas.

Muitas hemorragias digestivas baixas são factíveis de tratamento endovascular, na fase aguda, com liberação de “molas embolizantes” nos locais de sangramentos ativos. Com isto é possível a preservação do intestino acometido com menor morbimortalidade.

Estenoses de veias subclávias causadas por múltiplas punções das mesmas, principalmente, em pacientes dialíticos podem ser tratadas por angioplastia e colocação de “stents” a fim de preservar um acesso para hemodiálise. Como sabemos um dos grandes problemas do paciente com insuficiência renal crônica é a falha das vias de acesso para o tratamento. Com isto conseguimos aumentar a “sobrevida” de uma fístula artério venosa, por exemplo.

Em conjunto com a cirurgia do trauma conseguimos tratar lacerações de aorta em lesões por desaceleração decorrentes de acidentes.

Mesmo nos territórios de menor calibre, como em artérias distais de membros inferiores e superiores, abordamos e tratamos lesões estenóticas com o intuito de salvamento de membros. Há, modernamente, dispositivos para micropunção de artéria pediosa e abordagem retrógrada de sítios comprometidos por doença aterosclerótica.

No campo venoso, a colocação de filtro de veia cava inferior em pacientes com impossibilidade de anticoagulação plena para tratamento de trombose venosa profunda e a fibrinólise das oclusões venosas extensas e com alto potencial de síndromes pós trombóticas graves ou “phlegmasias” já são rotina.

Em última análise, os pacientes são conduzidos, cada vez mais, de forma segura, menos invasiva e com menores riscos de mortalidade e morbidade das doenças vasculares.

É claro que, tais procedimentos devem ter a segurança de uma retaguarda de UTI e hospitalar adequada. Foi então que o Hospital São Bernardo readequou seus equipamentos e melhorou o suporte para atender aos pacientes de alta complexidade com tranquilidade para a equipe cirúrgica. Lá contamos com um aparelho novo, com excelente definição de imagem e sala de hemodinâmica equipada e aparelhada para a realização destes procedimentos. Este espaço, diretamente ligado ao hospital, fica à disposição dos colegas vasculares que quiserem utilizá-lo diretamente ou, caso prefiram, encaminhar seu paciente para que nossa equipe faça o tratamento e reencaminhe o paciente ao médico assistente. Está, também, aberto aos colegas de outras especialidades que, porventura, em uma das interfaces possíveis, possam necessitar do concurso endovascular.
A casa é nossa.

Dr. Hussein Amin Orra
Cirurgião Vascular – HCFMUSP
Doutor em medicina pela FMUSP
Responsável pelo serviço de cirurgia vascular e endovascular do Hospital São Bernardo.